Outro risco à saúde mental se anuncia


Outro risco à saúde mental se anuncia






De quanto em vez a população adota o consumo de um medicamento e passa a utilizá-lo, por terem, acidentalmente, descoberto que este medicamentos podem apresentar alguns benefícios para tratar algumas condições médicas para os quais seu uso não foi indicado. E, as vezes seu consumo passa a ser tão frequente, que vira moda.
É o que está acontecendo atualmente com um medicamento que tem como base, uma substância denominada de metilfenidato. Esta substância há mais de cinqüenta anos vem sendo prescrita em medicina para algumas dezenas de situações clínicas, entre as quais, estão a narcolepsia e transtorno de hiperatividade com déficit de atenção. Há ainda uma dezena de indicações médicas para seu uso, todavia os mais importantes foram os citados acima.
A primeira trata-se de um distúrbio grave que atinge áreas cerebrais responsáveis pelo controle do sono, onde seus portadores dormem anormalmente de forma exagerada e que em geral melhoram muito seu problema com esta substância, requerendo, como de hábito, um diagnóstico apurado desta doença e um acompanhamento rigoroso na prescrição deste remédio por causa dos inúmeros problemas adquiridos pelo abuso.
A segunda condição, não menos importante, que pode ser tratada com o metilfenidato é a síndrome hipercinética com ou sem déficit a de atenção – TDAH, ou simplesmente TDH, este medicamento é prescrito há mais de 40 anos, com resultados absolutamente satisfatórios para o controle clínico deste transtorno.

Ocorre que há fortes evidências sobre a utilização abusiva e índevida do metilfenidato, sobretudo entre estudantes, particularmente universitários e candidatos a concursos que estão utilizando-o para disporem da mais atenção, concentração e outras performances, alegando que seu uso é para garantir aos mesmos, maior desempenho e eficiências nestas condições. Além do mais, os mais jovens, estão usando o metilfenidato associado com bebida alcoólica para fins recreativos.
Gostaria de aproveitar a oportunidade que O Imparcial me concede periodicamente ao publicar meus artigos, para informar-lhes do risco à saúde física e mental que a utilização desta substância, utilizada sem indicação médica, pode provocar à saúde mental. Vejam por que:
O uso médico da substância é para corrigir distorções funcionais em áreas do cérebro responsáveis pelas patologias para as quais está indicada de tal forma que os enfermos irão se beneficiar com a prescrição desta substância.
O uso não-médico, abuso ou ainda uso indevido, poderá ocasionar entre outras coisas, dependência ao metilfenidato, condição que semelhantemente às outras dependências químicas exigirá muitos cuidados na recuperação destes enfermos. 
Outra condição muito associado ao uso indevido é o desenvolvimento de psicoses agudas, configurando doença mental grave que exige, inclusive, internação destes enfermos. Além destes transtornos muitos outros poderão aparecer, tais como distúrbios do sono, do apetite, do humor, do interesses, quadros graves de depressão e de ansiedade e alterações do juízo de realidade. São condições médicas que jamais poderão justificar o uso indevido destas substâncias, especialmente se utilizadas para finalidades recreativas associadas a bebidas alcoólicas, que infelizmente muitos jovens incautos e desavisados estão praticando.
O metilfenidato é um poderoso excitante do sistema nervoso central que funciona como um bloqueador de recaptação de dopamina e noradrenalina, dois neurotransmissores cerebrais que participam da saúde mental e para ser utilizado exige-se a prescrição médica, e tão somente. De tal forma, que para os que acreditam que seu desempenho em diferentes atividades ou em práticas recreativas depende da utilização de certos produtos, estão incorrendo em um grande risco de terem no futuro que tomar outros medicamento, as vezes para a vida toda, para tratar de problemas que adquiriram por terem usado indevidamente substâncias desnecessárias a sua saúde.

*Psiquiatra - Ruy Palhano Silva


Médico Neuropsiquiatra, Professor de Psiquiatria do Curso de Medicina da (UFMA),
 Mestre em Ciências da Saúde (UFMA),
 Especialista em Dependência Química pela (UNIFESP),
Ex - Presidente da Academia Maranhense de Medicina.
ruy.palhano@terra.com.br











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