Religiosidade e superstição

Religiosidade e superstição: "
Isabel Martínez Pita
EFE-Reportagens

São consideradas superstições as crenças que perduraram no tempo apesar de sua falta de rigor científico. Todos nós temos superstições e, às vezes, elas se reduzem a pequenos costumes que adotamos e que consideramos que podem influenciar no nosso destino. No fundo, sempre há o temor pelo intangível e pelas forças sobrenaturais, aquelas que guiaram o comportamento de nossos antepassados.

A origem das superstições encontra-se na necessidade inata do ser humano de acreditar em um destino e em forças superiores que controlam sua vida. Diante da surpresa do homem em relação aos fenômenos naturais foram criados os primeiros mitos e crenças

A vida do homem primitivo dependia da natureza e de seus caprichos, e nossos ancestrais também se encontravam mais perto de compreender o verdadeiro valor de tudo que lhes cercavam, embora ignorassem o que dizia respeito à ciência que, mais tarde, foi esclarecendo o sentido das regras do mundo.

Ritos, a linguagem para falar com a natureza

O comportamento do ser humano estava submetido aos fenômenos da natureza, que lhe permitia sobreviver ou podia causar o desastre e sua morte. Os ritos nasceram para estimular a generosidade da terra ou para evitar a ira, tipicamente humana, do céu ou daqueles seres sobrenaturais que controlavam o destino dos homens.

Os ritos consistiam na repetição de uma expressão humana, como sons, danças, gestos ou oferendas, com a qual se tentava gerar condições favoráveis, evitar o mal, exaltar um mito ou agradecer pelos benefícios conquistados. Na Antiguidade, o mundo que cercava o homem era um cosmos no qual tudo estava relacionado e a magia compreendia todos os seus elementos.

A convicção nas repercussões que exerciam determinados atos formulados, repetidos e mantidos por uma comunidade, exerciam sobre o inconsciente coletivo a força suficiente para fortalecer as bases de um costume que diferenciava um povo de outro e se conservavam no tempo.

Daqueles ritos e costumes restaram as superstições, que são pequenos atos nos quais uma força mantida pelo tempo, a da repetição, nos leva inconscientemente a considerar de forma irracional que, se nos encontrarmos em determinadas situações e não fizermos determinados gestos, podemos provocar a má ou a boa sorte.

Superstições universais

Há algumas superstições que são universais e podem provocar sensações distintas no ser humano.

Um gato preto que cruza seu caminho costuma gerar pânico. A tradição do gato preto procede do Egito, onde se considerava que este animal era a reencarnação dos deuses. No entanto, posteriormente a Igreja Católica considerou que o diabo estava reencarnado no gato preto, por isso todos eles eram queimados.

Derrubar sal sobre a mesa também é encarado como um sinal de azar. Esta crença é muito antiga, quando o sal era considerado incorruptível e, por seu alto valor, em algumas regiões era até mesmo trocado por ouro. Por esta razão, derrubá-lo sobre a mesa era menosprezar seu caráter sagrado e um sinal de azar.

Para evitar sua maldição deve-se jogar uma pitada desse sal derramado sobre o ombro esquerdo.

Dizer 'saúde' quando alguém espirra evita o azar. Quando se desconhecia a procedência da maior parte das doenças o espirro era considerado o começo de uma delas e que podia causar a morte e, muitas vezes, isso era uma verdade. Dizer 'saúde' no momento em que alguém espirra é um apelo a Deus para curar a doença.

Quebrar um espelho é considerado como uma maldição por um período de sete anos. Os espelhos eram ferramentas dos profetas, que os utilizavam para ver o futuro, por isso eram considerados sagrados. Os sete anos de maldição se referem ao tempo em que um corpo demora a se regenerar completamente.

O trevo de quatro folhas oferece boa sorte para quem for capaz de encontrá-lo, porque para os druidas das Ilhas Britânicas era um símbolo sagrado, já que através dele era possível enxergar os demônios. No cristianismo se mantinha a lenda de que Eva deixou o Paraíso com um trevo de quatro folhas em suas mãos.

Quem não tem medo de passar entre os vãos de uma escada? Esta superstição também procede de tempos remotos, quando o triângulo era considerado uma figura sagrada, assim como as pirâmides do Egito ou, no mundo cristão, a Santíssima Trindade.

O azar da escada também é relacionado com o patíbulo, já que esta era necessária para pendurar a corda e para descer o enforcado. Além disso, no mundo cristão, o diabo aparece debaixo de uma escada enquanto Jesus morria na cruz.

Bater três vezes na madeira é considerado um rito de boa sorte, já que as árvores eram veneradas pelos druidas e ajudavam em aspectos simbólicos de fertilidade. No mundo cristão se relaciona com os pedaços que foram conservados da Santa Cruz.

Estas são algumas das milhares de superstições que permaneceram presas no inconsciente coletivo e se mantêm vivas, apesar dos avanços científicos e da era da tecnologia.


Enéias Teles Borges - Editor

Postagem original: 20/12/2007
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