Eu odeio falar em futuro…

do Caio Hostilio - Metendo o Bedelho 
Eu odeio falar em futuro…

Sempre vivi o presente. O máximo que consigo planejar como “futuro” é uma semana e com muitas ressalvas, pois ninguém sabe o que acontecerá daqui a um minuto, uma hora… Um dia… E assim por diante!!!
Eu posso dizer que já estou no lucro, pois conseguir passar dos 50 anos… Ufa!!!
Vez ou outra, meu filho cobra de mim se estou bem de saúde… Se ainda estou fumando… Se eu tenho plano de saúde… E o escambau!!! Sinceramente isso me cansa!!!
A morte é algo inevitável e ela chegará na hora certa… Da forma como a própria física quântica já vem mostrando cientificamente… Então, se no dia que a sua energia tiver que se apagar? Ele apagará e você não sabe quando, por isso o futuro é incerto…
Para se ter uma idéia, neste exato segundo em que o planeta terra passeia pelo sistema solar, há uma infinidade de vidas que se iniciam e outra infinidade que chega ao fim. É natural. Talvez chegue um dia em que morrer será a exceção e o mundo atingirá sua lotação. Para isso existe a ciência, a medicina: evitar que a vida chegue ao fim. Viver alcança seu valor máximo. Tanta gente aprendendo a sorrir com conquistas, mas a maioria ensaiando o futuro. Não é o que eu quero. Quero mesmo é o presente. Cansei de me preparar para um dia que pode não chegar. Existe vida no agora? Se houver, eu vou encontrar.
Tenho a impressão de ter atingido o auge da minha maturidade, mas não tenho espaço físico ou moral pra existir nessa condição. Estou pronto pra largar tudo pra trás todos os dias, mas algo finca meus pés no chão sem aviso prévio. É preciso ser coerente pra ser aceito, mas como não me contradizer tentando achar um equilíbrio? Como não ser um pouco louco nesse mundo tão absurdo?
A gente não aprende a viver sentado numa carteira de colégio. Não é a fórmula de Pitágoras ou a definição de pronome oblíquo que vai fazer com que eu seja mais ou menos inteligente. Saber organizar informações burocráticas em série e ser programado roboticamente não faz de ninguém um ser humano repleto. Isso tudo só rende uma possível colocação relevante numa prova de vestibular, um êxtase momentâneo. A vida se aprende nas perdas. É perdendo a liberdade que a gente descobre que não se encaixa, é perdendo alguém que a gente descobre que não vale a pena lutar por futilidades, é perdendo o apoio que a gente descobre que o resto do mundo não para só porque nosso mundo parou. A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso. Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecido.
Hoje, eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo.
Eu sou apenas um mortal, consciente que daqui nada levo… Apenas fica a lembrança momentânea da minha passagem por aqui para os que ficam!!!

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