TSE convoca especialistas para testarem urnas


TSE convoca especialistas para testarem urnas


O objetivo dos testes é que os especialistas consigam detectar falhas nas urnas. Com isso, o TSE identifica possíveis problemas no sistema de votação eletrônica e faz aperfeiçoamentos antes das eleições municipais de outubro.

As sessões de ataques às urnas vão acontecer entre 20 e 22 de março. O edital público para convocar os técnicos será divulgado hoje.

Na última vez em que o TSE fez testes, em novembro de 2009, Sérgio Freitas, um especialista em informática, conseguiu quebrar o sigilo do voto com um rádio de pilha. Com o rádio, Freitas captou ondas emitidas pelo teclado da urna enquanto o número do candidato era digitado. Como ele conseguiu essa captação somente a cinco centímetros da urna, o TSE concluiu que a prática não era um risco para a eleição, pois as urnas ficam isoladas e sob vigilância. Mas, o teste identificou uma vulnerabilidade e serviu para aperfeiçoar o sistema. Freitas ganhou R$ 5 mil por ter ajudado a contribuir com o aperfeiçoamento das urnas.

Ao todo, 37 especialistas participaram da última rodada de testes nas urnas. Equipes da Marinha e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) tentaram atacar o cartão de memória. Um especialista da Information Systems Security Association, um órgão internacional da área de segurança da informação, tentou mostrar que uma pessoa poderia votar em duas seções, mas não obteve êxito.

Para os testes deste ano, haverá uma novidade: o TSE vai colocar à disposição o código fonte. Esse código é importante, pois é através dele que o funcionamento do sistema eleitoral é transmitido para o computador.

Serão feitos ataques aos sistemas de software e de hardware. No caso do software, o ataque será bem sucedido quando o técnico conseguir quebrar o sigilo ou alterar a destinação do voto, sem deixar rastros. Em relação ao hardware, os técnicos vão tentar instalar um dispositivo entre o teclado e o processador da urna para ver se é possível identificar as teclas e alterar o voto que foi digitado.

Antes de participar, os técnicos fazem planos de ataques, nos quais podem pedir mais de uma urna e especificar se elas devem ser lacradas ou não. Os planos costumam ser aprovados, salvo algumas exceções, como o caso de um especialista que queria jogar ácido na urna e teve o teste negado.


Autor(es): Juliano Basile | De Brasília
Valor Econômico - 24/01/2012


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