Teresina: 7 dias de manifestações e intensa repressão policial



FONTE: PORTAL VERMELHO





A terça-feira (10) foi marcada pelo sétimo dia de manifestações contra o aumento da passagem de ônibus em Teresina, no Piauí. A repressão policial foi das mais violentas desde que os estudantes iniciaram os protestos no dia 2 deste mês.


Na tentativa de encerrar o impasse e buscar uma solução, o Ministério Público do estado e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se colocaram à disposição para intermediar as negociações entre os estudantes e a prefeitura, como informou a Agência Brasil.

Os manifestantes, em sua maioria estudantes, protestam contra o reajuste da passagem, que aumentou de R$ 1,90 para R$ 2,10. O aumento foi determinado por um decreto assinado pelo prefeito Elmano Ferrer (PTB) nos últimos dias de 2011.

No começo da tarde desta quarta-feira (10) os estudantes se dirigiram para a frente do Palácio da Cidade, depois voltaram em caminhada pelo centro comercial e voltaram para a Praça do Fripisa onde decidiram terminar as manifestações daquele dia.




Mas um grupo de estudantes no canteiro Frei Serafim foi aumentando aos poucos enquanto cerca de 450 policiais se agrupavam próximo, quando o movimento invadiu a avenida. Mesmo sem nenhum ato de vandalismo, foi recebido com bombas de efeito moral e balas de borracha.

De acordo com o site 180 graus, que realiza a cobertura dos protestos, alguns manifestantes foram arrastados pela rua até as viaturas e em seguida presos, ao todo cerca de 20. Policiais invadiram a Panificadora Modelo e prenderam um funcionário e uma cliente que nada tinham haver com os protestos, além de várias pessoas, incluindo um fotógrafo.





Integração


Buscando dar um golpe na população e apostando que as festas de fim de ano impediriam uma mobilização, Ferrer assinou o decreto determinando o aumento na passagem no final de 2011 e a criação da integração do transporte, antiga reivindicação do movimento social local.

Mas em Teresina a integração se limitaria a diminuir pela metade o valor da 2ª passagem e desde que ela venha a ser realizada 1 hora após o embarque no primeiro ônibus.

Além disso, segundo a própria STRANS (Superintendência de Transportes e Trânsito), a integração só aconteceria em 35% das linhas, e cada linha só poderia se “integrar” com outras linhas predeterminadas pela prefeitura.

Por conta da “integração” a prefeitura ainda teria removido alguns pontos de ônibus de uma das principais avenidas da cidade (Av. Frei Serafim, local dos conflitos), aumentando ainda mais o tempo em que o usuário permanecerá no veículo e reduzindo ainda mais as chances de o cidadão usufruir da integração.

Cartão de crédito

Outro ponto que causa estranhamento é a questão do cartão magnético que permitirá o acesso ao ônibus. Ele foi confeccionado pela empresa Cred Shop, administradora de cartões de crédito, pertencentes ao Grupo Claudino, que tem como um dos sócios o senador João Vicente Claudino, do PTB, mesmo partido do prefeito.

Segundo Álvaro Dias Feitosa, estudante de Direito da Universidade Federal do Piauí, e Lucas Vieira, advogado, este cartão para a integração também funciona como um cartão de crédito. O que induz o usuário do transporte público a ser cliente da empresa de crédito da empresa do senador.

Criminalização

Além de sofrer com a repressão policial, o movimento tem sido criminalizado por quase toda a mídia comercial local, que atua em grupo a favor dos interesses dos empresários de transporte privado e dos grupos políticos associados a eles.

Em quase todas as matérias os que participam do movimento não são tratados como estudantes, mas como “bando de baderneiros”.

O movimento tem se organizado fundamentalmente pela internet. No twitter a hastag usada pelos estudantes tem sido a #contraoaumento.

A seguir, os endereços dos sites indicados pelo movimento para quem gostaria de acompanhar a situação dos protestos de Teresina:

http://180graus.com/geral/veja-o-resumo-das-manifestacoes-contraoaumento-da-semana-486577.html

http://www.contraoaumento.com/

http://chegadeaumentopi.blogspot.com/

Com informações do Blog do Rovai e do 180 graus


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