A mentira e o cérebro - Ruy Palhano Silva




        
A palavra mentir, se origina do latin “mentíre”, que significa faltar com a verdade, iludir, imaginar, inventar. Trata-se de uma conduta que parece que não é só encontrada em seres humanos, outros animais de outras espécies também são chegados a esta prática especialmente para manterem a sobrevivência.
Desde os primórdios, mentir sempre foi uma condição abominável, reprovável e repudiada pela sociedade, especialmente por ferir os princípios da dignidade e da ética e do ponto de vista jurídico mentir pode ser considerado crime, tais como as descritas no art. 342 do Código Penal (CP), previstas em varais circunstâncias.
Há os caso onde a mentira é considerada tolerável e que não se enquadra como crime, nestas condições a mentia é designada como mentira branca ou mentira social, onde esta prática não ocasiona qualquer dano às pessoas.
Apesar das nefastas conseqüências sociais ocasionadas pela mentira, esta conduta nos dias atuais, passou a fazer parte de uma cultura que se estabelece a cada momento pela sua prática freqüente em uma grande variedade de circunstâncias: no comércio, nas atividades profissionais, nas relações amorosas e sociais em muitas outras ocasiões em que estamos envolvidos.
A mentira também faz parte do folclore, pois desde o século XVI criou-se na França o dia da mentira que é comemorado o dia 1º de abril, fato que começou como uma brincadeira neste país e que se estende até hoje, pois a tradição continua e o tema nos leva a refletir sobre a presença da mentira no nosso dia-a-dia.
Neurocientistas californianos descobriram que o cérebro de mentirosos patológicos os que mentem compulsivamente têm até 26% a mais de massa branca no córtex pré-frontal que os demais, onde acontece uma intensa transmissão de informações que ajudam a inventar as mentiras. Além disso, eles têm 14% menos massa cinzenta na área que controlaria os impulsos que usamos para julgar o certo e o errado.Algo muito parecido com o cérebro de criança que até os cinco anos têm três quartos de massa branca no cérebro, por isso é natural que ela viva no mundo da fantasia. Após os seis anos tomará mais conta da realidade e se depois desta idade permanecer mentindo os pais devem se preocupar mais com este filho.
Sabe-se também que a incapacidade de controlar os impulsos de mentir é um processo semelhante ao encontrado nos viciados em jogos (jogo patológico), em comer (comer compulsivo), em comprar (comprar compulsivo), em sexo ( sexo compulsivo) e no consumo de álcool ou outras drogas (beber compulsivo). Isto é, estas pessoas que mentem patologicamente (mitomania), de fato apresentam alterações funcionais no controle dos impulsos de forma semelhante ao que ocorre com estes outros doentes.
Para os mentirosos compulsivos, o recomendável é esclarecer, e resolver, o motivo que os levam a mentir, e orientá-los a desenvolverem atividades criativas que exercitem a parte branca do cérebro de modo produtivo para a pessoa. Além do mais o uso alguns medicamentos como os neurolépticos e antidepressivos em pequenas quantidades podem ajudá-los a se livrarem deste problema.
Outro tratamento recomendável é a terapia cognitiva comportamental-TCC, que os ajudam a reorganizarem sua forma de agir e de pensar. Todavia, antes de recomendar os tratamentos acima sugeridos deve-se proceder a uma rigorosa avaliação médica e psiquiátrica para se descartar a possibilidade de que este comportamento de mentir não esteja associado a outros transtornos inclusive os de personalidade que é muito freqüente a meu ver um dos mais graves, pois em geral é praticado por sociopatas e que mentem de forma cínica e descaradamente e não sente qualquer culpa ou remorso sobre as conseqüências nefastas que sua conduta de mentir, vai ocasionar à população. Transtorno epilético de lobo temporal e disfunções químicas do cérebro são duas outras condições neuropsiquiátricas muito freqüentes nesta população.





  • Médico Neuropsiquiatra, Professor de Psiquiatria do Curso de Medicina da (UFMA), Mestre em Ciências da Saúde (UFMA), Especialista em Dependência Química pela (UNIFESP),Ex - Presidente da Academia Maranhense de Medicina.
  • e-mail

    ruy.palhano@terra.com.br

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