Maranhão tem o Português mais bem falado do Brasil

Maranhão tem o Português mais bem falado do Brasil: "



do Maranhão Maravilha

Maranhão no encalço da língua


Bruna Castelo Branco
Da equipe de O Estado


A variação lingüística no país será tema de discussão no I Congresso Internacional de Dialetologia e Sociolingüística, que acontecerá de 17 e 21 de outubro, no Campus do Bacanga. O evento marca as comemorações dos 44 anos da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e é organizado pela instituição, em parceria com as Universidades do Ceará e do Pará.


A abertura do evento ocorre às 19h, no Palácio Cristo Rei (Praça Gonçalves Dias) com conferência de Michel Contini, pesquisador em geolingüística e sociolingüística. De segunda a quinta-feira serão ministrados: minicursos, conferências e mesas-redondas. Haverá exibição de pôsteres e sessões de comunicação. No terceiro dia do congresso, ocorrerá o lançamento de três livros: “Nova Gramática do Português Brasileiro”, do professor doutor Ataliba Teixeira de Castilho, pesquisador da Universidade Estadual de Campinas; “Português falado no Maranhão: Múltiplos olhares” e a segunda edição de “Português do Maranhão: Estudos Preliminares”, livros provenientes do Projeto Alima e publicados pela editora Edufma.


O tema do evento será “A Contribuição dos estudos dialetais e sociolingüísticos para uma política de línguas”, em homenagem a pesquisadora Maria do Socorro Silva de Aragão, autora do terceiro atlas elaborado no Brasil e, que, atualmente, continua contribuindo para a formação de novos pesquisadores atuando como Diretora Científica do Atlas Lingüístico do Brasil. A homenageada, que comparecerá ao congresso, tem uma relação especial com os estudos lingüísticos do Maranhão. Foi ela quem iniciou as primeiras pesquisas na área na década de 70 e, até hoje, seus trabalhos são referências para dar continuidade a novos projetos.


Dialetologia - Organizado pelo projeto Atlas Lingüístico do Maranhão (Alima), o evento busca promover o debate e o mapeamento das diferentes formas de falar do português, percebendo as variações regionais de significações de palavras e formas de pronunciar. A programação é voltada para diferentes áreas ligadas à educação, tanto em níveis básicos quanto em estudos mais avançados. “Depois que os livros do Alima foram lançados, o primeiro em 1996 e o segundo em 1998, houve uma cobrança de realizar um evento que pudesse trazer especialistas para discutir essas diferentes”, explica José Ribamar Mendes, coordenador do Congresso.


Durante a semana, serão apresentados dados que comporão os atlas lingüísticos estaduais e do brasileiro, publicações previstas para 2011. As duas publicações atualizam as expressões utilizadas atualmente em níveis estadual e nacional e mostra as variações por faixas etárias. Segundo o professor José de Ribamar Mendes Bezerra, por causa dos avanços da comunicação de massa é possível perceber uma padronização nos modos de falar. “A influência, principalmente, televisiva é muito forte. A gente percebe essa homogeneização com o modo de falar do Rio de Janeiro e São Paulo que estão mais em foco na mídia. Nos mapeamentos que estamos fazendo pelo Maranhão, percebemos que, nos locais em que não há muita influência midiática, os modos de falar regionais ainda são mantidos”, frisa o pesquisador.


De acordo com os dados do projeto Alima, no Maranhão, as variações lingüísticas são muito grandes, por exemplo, a conjugação correta dos verbos que deu ao estado a tradição de ser o que fala português mais corretamente no Brasil, hoje em dia, não é mais tão usual. Isso se reflete pelo uso do “tu”, que vem sendo substituído pela forma de tratamento “você”, principalmente, em São Luís. “Hoje em dia não é tão usual como antigamente. A gente percebe uma mudança, principalmente, por faixa etária. Os antigos conseguem preservar mais essas informações”, observa.
Outra modificação no sotaque do maranhense é identificada no município de Carutapera, cujo modo de expressar-se verbalmente assemelha-se mais com a forma de falar dos paraenses. “Como é mais próximo, eles se estendem mais em algumas letras como o “s” e o maranhense fala de forma mais anasalada”, completa Conceição Ramos, coordenadora do Projeto Alima.


Para se inscrever, basta acessar o site do congresso http://www. alima.ufma.br, preencher a ficha de inscrição, que deverá ser enviada como anexo para o seguinte e-mail: inscrição.cids@gmail.com. O pagamento da taxa deverá ser feito via depósito bancário, identificado com o nome do congressista, em favor de José de Ribamar Mendes Bezerra, na conta nº 12.431-1, do Banco do Brasil, Agência 4445-8 UFMA-Campus do Bacanga.


Ao enviar a ficha de inscrição – que deve ser encaminhada em arquivo de texto do Word (formato DOC) –, o participante deverá anexar também o comprovante de pagamento digitalizado (formato JPG).
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