Potencial de reservas da OGX no Maranhão equivale a "meia Bolívia", diz Eike Batista

Potencial de reservas da OGX no Maranhão equivale a "meia Bolívia", diz Eike Batista:


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TATIANA FREITAS
(FOLHA.COM)
DE SÃO PAULO



O empresário Eike Batista estimou que o potencial das reservas da OGX Maranhão -sociedade formada entre a OGX e a MPX Energia- na bacia do Parnaíba seja de 10 trilhões a 15 trilhões de pés cúbicos de gás, o equivalente a 15 milhões de metros cúbicos por dia.

'É meia Bolívia. É metade do que o país entrega para o Brasil pelo gasoduto Brasil-Bolívia', afirmou o empresário nesta quinta-feira. O Gasbol, como é conhecido o gasoduto, tem capacidade de transporte diária de 30 milhões de metros cúbicos.

Atualmente, são produzidos por dia, no Brasil, cerca de 60 milhões de metros cúbicos de gás. 'Os 15 milhões de metros cúbicos que estamos querendo produzir seriam 25% da produção diária brasileira', acrescentou Eike Batista, que é presidente do conselho de administração da OGX e da MPX, em teleconferência com a imprensa.

Às 15h17, as ações da OGX na Bolsa de Valores de São Paulo subiam 2,5%, enquanto o Ibovespa registrava quase estabilidade (-0,03%).

De acordo com fato relevante divulgado nesta quinta-feira, a OGX Maranhão identificou a presença de hidrocarbonetos no poço OGX-16 na bacia do Parnaíba e testes apontaram 'para altas pressões e presença de gás natural'.

'Mesmo sendo raso, a 1.654 metros de profundidade, atingimos um bom nível de pressão', afirmou o diretor-geral da OGX, Paulo Mendonça. Quanto mais profundo é o reservatório, a tendência é de que seja maior a pressão.

As reservas serão exploradas pela OGX, que entregará o gás para a MPX produzir energia elétrica em usinas movidas a gás natural que serão construídas na região. 'Esse será um dos projetos mais importantes do sistema elétrico brasileiro', disse o CEO da MPX, Eduardo Karrer. Eike Batista considerou que também existe a possibilidade de o gás ser direcionado para uso industrial.

No final de julho, a MPX obteve licenciamento prévio para a implantação de usinas a gás natural com capacidade de geração que pode chegar a 1.863 MW. Com a descoberta anunciada hoje, a companhia pretende dobrar esse volume.

O início da produção das usinas, segundo Eike Batista, pode ocorrer em um prazo de dois anos, a depender da entrega de equipamentos que serão necessários para a exploração dos poços, como novas sondas de perfuração.

Para a exploração dos reservatórios, a OGX prevê investimentos de US$ 400 milhões, ou aproximadamente R$ 700 milhões. Até agora, a empresa já gastou R$ 59 milhões em testes de sísmica e no início da perfuração de um dos reservatórios. 'Os custos são menores porque as reservas são onshore', disse.

Segundo Mendonça, já foram mapeados cerca de 20 novos blocos para serem explorados nessa nova 'província de gás e petróleo'. A possibilidade de ocorrência de óleo nesses reservatórios, inclusive, existe, devido às suas características. Mas o diretor diz que ainda é cedo para fazer previsões.

Nas usinas térmicas, os investimentos podem se aproximar de US$ 2,8 bilhões, considerando um potencial máximo de 4 mil MW de geração de energia. 'Para implantar uma unidade com capacidade de geração de 2 mil MW, são necessários investimentos de US$ 1,4 bilhão', indicou Karrer.

Na avaliação de Eike Batista, a demanda para o amplo potencial de geração de energia da MPX existe, devido ao crescimento estimado para a economia brasileira de pelo menos 5% ao ano nos próximos períodos.

'Informei pessoalmente o presidente Lula, hoje, sobre essa descoberta, devido à sua importância para a geração de energia no Norte e Nordeste, para o país e até pelo impacto internacional que ela pode ter', disse Eike.

A OGX também divulgou hoje lucro líquido de R$ 57,8 milhões no segundo trimestre. O valor mostra uma importante recuperação em relação ao mesmo período do ano passado, quando a empresa teve prejuízo de R$ 177 milhões.

RESERVAS

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), no ano passado, as reservas provadas de gás natural ficaram em torno de 357,4 bilhões de metros cúbicos, um decréscimo de 1,8% em relação a 2008.

Entre os anos de 1964 e 2009, as reservas provadas de gás natural cresceram a uma taxa média de 7,1% ao ano. A evolução das reservas de gás no país apresenta um comportamento muito próximo ao das reservas de petróleo, porque, na maior parte dos atuais campos em produção, o gás está associado ao petróleo.

Para produzir o óleo --mais rentável--, é preciso dar um destino ao gás. São três as opções: transporte por gasoduto para o continente, reinjeção nos poços ou queima --a mais ineficiente.

Os dados da agência reguladora apontam que a produção de gás natural em março --último dado disponível-- teve queda de 1,6%, atingindo média diária do total de 59,5 milhões de metros cúbicos por dia.
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