“Balaios” à beira de um ataque de nervos

“Balaios” à beira de um ataque de nervos: "


do Blog do Décio

Uma carta do ex-governador Jackson Lago dirigida aos moradores da capital, e divulgada especialmente na internet ao qual o blog teve acesso, gerou crise entre ex-colabores, parentes e correligionários do candidato do PDT. No documento, entitulado “Carta a São Luís”, Jackson enumera realizações de seu governo e se coloca como vítima de perseguição da família da governadora e concorrente Roseana Sarney (PMDB).


“Ao contrário do que rezou e até hoje reza a imprensa sarneysista, nosso governo não foi derrubado por seus defeitos, mas em razão de suas virtudes, obras, valores e realizações. Virtudes que eram vistas como séria ameaça à sobrevivência política da oligarquia. Tentam e continuam tentando me destruir, na esperança de que eu cedam que eu desista, que a les me entregue, como já conteceu com alguns fracos de espírito”, diz O ex-governador, “esquecendo-se” que em 2000 chegou a brindar a vitória na eleição para a Prefeitura de São Luís na casa da então aliada e governadora Roseana (leia aqui a íntegra).


Hoje Jackson é criticado, mas quando estava no governo ninguém dizia nada


Depois da divulgação da carta começaram os debates a respeito do assunto na “Rede Balaiada”, grupo de discussão que ex-membros do governo mantém na internet. Ex-secretário adjunto de Trabalho, o “neoflavista” Franklin Douglas (PT) bateu forte no ex-chefe. Disse que na carta Jackson encheu linguiça com várias obras no interior esquecendo de fatos importantes ocorridos na capital. Citou como exemplo a visita do ditador venezuelano Hugo Chávez, participação do ex-governador no Fórum Social Mundial e mutirões realizados na Cidade Operária e Itaqui Bacanga.


“Embora São Luis seja uma caixa de ressonância para o interior do estado, o que justificaria colocar as ações feitas lá na carta à capital, a demasia de ações no interior ante as menores exemplificações do que feito em São Luís, deixa a impressão que de fato pouco foi feito na ilha. Alguns exemplos do que poderia ter sido dito”, assinala o ex secretário-adjunto.


Franklin deixa claro que “a carta tem um excelente final (‘não são os juizes, mas o povo que vota agora’), mas perde força ante o anterior que está politicamente expresso: o tom não é coerente com a autocrítica feita por Jackson Lago em discurso na saída do governo, repetido em diversas entrevistas de rádio”. Afirma ainda que só está batendo no ex-patrão porque ele precisa ter votos para levar a eleição para o segundo turno. “Sem uma boa votação de Flàvio (Dino) e de Jackson em São Luís, não há segundo turno no Maranhão”, sentencia.


Defesa em família


Filho do ex-governador, Igor Lago entra na discussão e critica o setor de Comunicação do governo do pai. “Sob um governo plural resultante das circunstâncias com que foi eleito, o governador Jackson Lago e o seu governo (você sabe tanto quanto todos os outros companheiros) enfrentou um ambiente de muita hostilidade desde o início que, em vez de ser superado, culminou com a fatídica cassação. Quantas ações deixaram de ser feitas por essa circunstância, inclusive no setor de comunicação? Portanto, creio que não podemos fazer um julgamento justo sobre o governo Jackson pelo fato de que o mesmo foi interrompido aos 2 anos, 3 meses e 17 dias”, choraminga.


Na sequência o historiador Jonhatan Almada, aliado e atuando como espécie de “ghost-writer” (quem escreve por outra pessoa) do ex-secretário Aziz Santos (Planejamento), faz algumas ponderações. “O governo Jackson Lago e em parte também o de José Reinaldo romperam com a ‘lógica insular do governo estadual’, dinamizando os investimentos para o continente, desconcentrado-os da ilha. É certo que o governo Jackson Lago avançou sobremaneira nisso, porém o esforço interrompido pelo golpe judicial deixou tudo a meio caminho. Acredito que só a carta a São Luís não traduza o todo do que representou o governo Jackson Lago nos dois sentidos já mencionados (cooperação internacional e democracia participativa e direta). Por isso, considero indispensável uma Carta aos Movimentos Sociais e a Sociedade Civil Organizada dando conta disso”, diz .


Em rápida mensagem no final, o ex sub-chefe da Casa Civil Emílio Azevedo, braço direito de Aderson Lago no governo cassado, se solidariza com Franklin. “Independente de concordar ou não com Franklin Douglas acho que ele presta um enorme serviço no momento em que faz uma crítica. A crítica é necessária. Principalmente dos aliados (e Franklin foi aliado do projeto da Frente de Libertação desde sempre). O Maranhão precisa da crítica honesta. Aliados não servem só para aplaudir. Os aliados também podem e devem criticar. Isto é muito positivo para o Maranhão”, diz e ele. Leia aqui a íntegra dos artigos dos balaios à beira de um ataque de nervos.

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