Cada vez mais fãs de Lula viram eleitores de Dilma

Cada vez mais fãs de Lula viram eleitores de Dilma: "


(texto publicado na edição impressa de O Estado de S.Paulo)


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustenta os índices de aprovação do governo em alta. Sua nota média chegou a 7,8 na pesquisa Ibope/Estado/Rede Globo, o percentual dos eleitores que acham sua gestão ótima ou boa é de 75%, e nada menos do que 86% aprovam sua maneira de governar. Mas como isso influencia a eleição?


O cruzamento da avaliação de Lula com a intenção de voto mostra como a popularidade do presidente transformou Dilma Rousseff (PT) de uma tecnocrata desconhecida em favorita da maior parte dos eleitores na corrida presidencial.


Lula navegou sem solavancos a maré alta de sua aprovação ao longo do primeiro semestre. Seu índice de aprovação (ótimo + bom) foi praticamente idêntico nas pesquisas Ibope de fevereiro, março, abril e na atual, feita entre 29 de maio e 3 de junho. O que variou foi a apropriação que Dilma fez dessa popularidade.


De carona nas aparições públicas de Lula, Dilma acelerou seu passo na corrida presidencial em fevereiro. Chegou a 28% das intenções de voto, mas ainda estava longe de José Serra (PSDB). Nessa época, ela empatou com o rival nos três quartos de eleitores que aprovavam o governo. E, como hoje, perdia na proporção de 5 votos a 1 no quarto do eleitorado mais insatisfeito com Lula.


Em março, a petista abriu uma pequena vantagem, de 7 pontos, sobre Serra entre quem avalia o governo como ótimo ou bom. Isso lhe permitiu chegar perto de um empate técnico com o tucano no total do eleitorado. Mas a alta não durou. Em abril, Serra recuperou votos no segmento pró-Lula e aumentou de 5 para 8 pontos sua vantagem na corrida presidencial.


Agora, Dilma abriu uma vantagem de 12 pontos sobre Serra nos 75% que aprovam o governo. O tucano ainda compensa essa diferença entre os eleitores que acham a gestão de Lula regular, ruim ou péssima. A questão, portanto, é se Dilma continuará ganhando votos entre os eleitores que aprovam o governo à medida que aumenta sua identificação com Lula.


Há uma diferença grande na intensidade de aprovação de Lula que fazem os eleitores de Dilma e de Serra. Nada menos do que 60% dos que dizem que o governo é “ótimo” declaram intenção de votar em Dilma (24% preferem Serra). O segmento do “ótimo” representa 27% do eleitorado total.


Já no maior grupo, o dos que acham o governo “bom”, a disputa está empatada: Serra tem 37% desses eleitores, contra 36% de Dilma. A turma do “bom” é 48% do eleitorado. Esse é o núcleo da briga entre o tucano e a petista.


Essas diferenças de intensidade ficam mais evidentes quando são traduzidas em notas. Para o total do eleitorado, o governo Lula é nota 7,8. Na opinião dos eleitores de Dilma, o governo merece um ponto a mais, em média: 8,8. Nada menos do que 40% dos eleitores de Dilma dão nota 10 ao governo.


Já os eleitores de Serra e Marina Silva (PV) são menos benevolentes com Lula. Na média, avaliam seu governo com notas 7,2 e 7,3, respectivamente. O tucano absorve, por exemplo, dois terços dos eleitores que dão nota zero ao governo petista. Mas, na média, são os que pretendem anular ou votar em branco que dão a nota mais baixa a Lula: 6,8.


Os indecisos dão nota média 7,8 ao governo. Esse é um indicador de que, na hora de votar, eles tenderão a se distribuir entre os candidatos na mesma proporção da sua intenção de voto.



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