UM NOVO PT PARA O MARANHÃO: Crise na esquerda do Maranhão

UM NOVO PT PARA O MARANHÃO: Crise na esquerda do Maranhão



Flávio Dino chutou o pau da barraca, atacando preventivamente a direção nacional do PT, porque sente difícil levar o PT para seu palanque este ano, e tenta ampliar ao máximo a dissidência que haverá de acompanhá-lo. A maioria dos mais conhecidos militantes petistas de São Luís está com ele, embora, no voto a voto intrapartidário, o grupo mais afinado com Lula ganhe todas.

Segundo o pre-candidato do PCdoB, advogado profissional e peladeiro nas horas vagas, se o PT decidir pela coligação com o PMDB de Roseana isso será um “golpe”, um “gol de mão”, uma prorrogação anunciada depois que um dos times já venceu no tempo regulamentar.

Foram declarações tão agressivas que até o pacífico Raimundo Monteiro, presidente do diretório regional, reagiu na hora: “Ele que vá cuidar do partido dele. O PCdoB participou durante sete anos de dois governos Roseana e ninguém do PT se achou no direito de condená-lo por causa disso”.

O bate-boca resulta no seguinte: para admitir a aliança com o PCdoB — partido superfiel a Lula no plano nacional, mais talvez que o próprio PT — a cúpula petista terá que entregar Monteiro e outros da mesma corrente às feras. Improvável.

Sem intervenção - O boato de que a direção nacional do PT vai “intervir” no Maranhão não procede. Só se fosse, por absurdo, para afastar Monteiro e fazer a vontade do PCdoB.

Afinado com a direção nacional, o diretório regional aprovou a participação no governo Roseana, onde o partido tem três secretários. Fez como Lula quer.

Em março, encontro estadual petista optara pela coligação com o PCdoB, por 17 a 15, com três abstenções. Essa sentença, porém, ainda não “transitou em julgado”. Antes de tudo porque a direção nacional petista admitiu mas ainda não julgou a reclamação de que uma delegada foi impedida irregularmente de votar. A reclamante declarou apoio à tese PMDB, mas acabou substituída por suplente que votou na tese contrária. Dependendo da sentença de 2o grau da justiça desportiva do PT, a votação pode ser anulada (porque o resultado “verdadeiro” teria sido o empate).

Câmara revisora - Mas não é só isso. Acontece que o congresso nacional do PT, o mesmo que convocou o encontro regional e fixou-lhe as regras, estabeleceu que as decisões nos estados poderiam ser revistas, no interesse da candidatura Dilma.

Certa ou erradamente, a cúpula petista — Lula, Dilma, José Eduardo Dutra, Zé Dirceu, os capas-pretas — entende que no Maranhão interessa coligar com o PMDB. De um jeito ou de outro, mas sem se afastar da legalidade intrapartidária, provavelmente fará com que isso prevaleça.

Em 1998 foi assim - Quem sabe da história e da política brasileira e maranhense não estranha. Em 1994, quando Roseana concorreu ao Governo pela primeira vez, o PSDB estava com Cafeteira, na oposição.

Quatro anos depois, o trator Sérgio Mota, alter ego de FHC, reuniu o pessoal em São Luís e decretou: “Aqui é com Roseana”.

Alguns tucanos não queriam, mas acabaram coligando.

Fronteira ideológica - Flávio Dino é candidato para o que der e vier — agora provavelmente dá pouco, mas 2014 vem aí. O problema é que ficou nervoso com a “reversão de expectativas” no PT. Esqueceu até que Ciro Gomes (PSB), seu plano B, não é mais candidato, e que Marina Silva, ainda verde, não dá pé.

Se radicaliza contra o PT, acaba empurrado para as vizinhanças de Serra, o candidato da direita orgânica, nacional e transnacional. Uma contradição dialética antagônica, inadmissível nele próprio e no PCdoB. Aliás...

Nacional prevalece - O portal Vermelho, do PCdoB, exibe em primeiro plano artigo do militante comunista Eduardo Bomfim, secretário da Cultura de Alagoas. Intitula-se “O nacional e o regional” e, pelo destaque, soa como editorial do partido, embora pareça mais um ditado do PT nacional. Diz, em resumo:

O confronto é plebiscitário: esquerda versus direita, Dilma versus Serra, Lula versus anti-Lula etc.


A “centralidade” nacional “ordena e subordina as táticas e ‘urgências’ regionais. Até porque “os resultados (nacionais) das próximas eleições deverão influenciar .... o futuro dos estados, sem nenhuma exceção”.

“Em jogo estará, além da estratégica presidência da República, a renovação do Senado e da Câmara dos deputados, além dos governadores e Assembléias Legislativas. “

Fonte: blogue do Walter Rodrigues

Comentários

  1. Sem dúvidas! A intervenção, por ora, acontece da parte dos pró-Flávio que fazem política estudantil, com manifestaçõezinhas baratas. No campo das ideias, não tem um q consiga engatar propostas coerentes e viáveis para o estado.

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