Polícia Federal faz devassa em cartório de Timbiras-MA


Dois delegados e vários agentes da Polícia Federal passaram quase toda esta terça-feira (27), dentro do Cartório de Ofício Único, Serventia Extrajudicial, de Timbiras. Cumpriram mandado de busca e apreensão, mas como 22 livros de registros de nascimento e vários computadores teriam que ser periciados a PF montou um pequeno laboratório para descobrir, por exemplo, com seus peritos, de quem era a letra nos livros. Levou luva, aparelhos com raios ultravioleta e máquinas fotográficas.
NÚMEROS
De acordo com informações repassadas pela polícia ao repórter do Jornal Nacional, Honorio Jacometto, existem cerca de 1.400 documentos falsificados no cartório de propriedade do ex-vereador e ex-secretário municipal de educação, Lula Alvim, dos quais cerca de 900 foram criados para fornecer aposentadorias à pessoas que ainda não tinham idade para se aposentar.
A Federal revelou ainda a suspeita de que títulos eleitorais também foram criados para pessoas que nunca existiram.
“Não vou dar entrevista”, expressou-se Lula ao repórter que tentou ouvi-lo sobre as suspeitas.
ERROS GROSSEIROS
Para a polícia, os livros de registros são a prova do crime. Em cada página só pode ser registrado um nascimento. Nos livros do cartório de Timbiras, algumas folhas datadas até de 1954, o espaço em branco que restava no fim da página era preenchido com outro registro, este, porém, segundo os policiais, falso e com o mesmo número da página completada de forma possivelmente fraudulenta.
Um detalhe que chamou a atenção dos federais foi o fato de que a tinta da caneta usada (as vezes mais nova) e a letra nunca eram parecidas.
“Mostra-se a intenção, tanto é que o número de registro é o mesmo. Você ver que foram datas posteriores que foram inseridos e isso aí, certamente, foi utilizado para a fraude previdenciária ou qualquer outro tipo de fraude, eleitoral e assim por diante”, disse um dos delegados
No final de cada registro, o escrevente é obrigado à assinar o nome, mas estas assinaturas não foram encontradas em alguns livros o que coloca todos os funcionários e ex- serventuários do cartório na qualidade de suspeitos.
“Nós vamos fazer um exame com todos os serventuários do cartório pra fazer uma comparação com as que foram apostas (letras) aqui nos livros de registro”, garantiu o delegado
PRISÕES
O proprietário acompanhou tudo de perto e não saiu preso porque o mandado era apenas de busca e apreensão, ou seja, a Polícia Federal ainda buscava provas do crime de falsificação de documentos públicos.
Timbiras é apenas uma das cidades onde a fraude vinha ocorrendo. No Maranhão inteiro fala-se em cerca de 1 milhão de documentos falsificados para possibilitar aposentadoria e votações eleitorais às margens da lei. As prisões, envolvendo gente grande, ainda serão realizadas.

Fonte: Da Central de Notícias

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