Enfim, um bispo maranhense.

Enfim, um bispo maranhense.: "


FONTE: Jornal O Imparcial


Natural de Riachão, Dom Sebastião Bandeira Coelho assume a Diocese de Coroatá e passa a ser o único nascido no Maranhão a atuar em seu próprio estado.


As 12 dioceses da Igreja Católica no Maranhão eram todas elas dirigidas por bispos não-nascidos no estado, sendo que 50% delas têm em seu comando sacerdotes de outros países – Itália, Alemanha, Espanha, França – mas esta realidade começou a mudar neste sábado, com a posse de Dom Sebastião Bandeira Coelho, 51 anos, em Coroatá. Natural de Riachão, ele foi transferido do Amazonas, onde estava desde 2005, ao ser nomeado bispo auxiliar de Manaus, e para ele o retomo ao Maranhão, numa posição de destaque, pode influenciar muitos jovens a seguirem a carreira sacerdotal.


Filho do ex-seminarista Quintiliano Pereira Coelho (sua mãe é Gregória), que após desistir da batina foi ser pecuarista, e irmão de dois ex-seminaristas também (Francisco, hoje médico, e Antônio Luís, fazendeiro), Sebastião Coelho, descobriu a vocação sacerdotal aos 11 anos, quando ainda era aluno do Colégio Artur Lemos, em sua cidade. Pelas experiências anteriores dos parentes e pelo ambiente religioso entre eles, o anúncio foi recebido com euforia pelos pais, fervorosos católicos, que viam finalmente nele a oportunidade de se concretizar um sonho: um padre na família.


Decidido sobre o que iria ser na vida, foi para a cidade de Balsas, onde cursou o seminário menor no São Pio X. Concluído o correspondente ao ensino fundamental, veio para São Luís, onde foi aluno do Zoé Cerveira e do Liceu Maranhense. A fase, propriamente dita, de preparação para a vida sacerdotal, deu-se em Fortaleza (CE), cidade em que por seis anos, se aprofundou nos estudos de Filosofia e Teologia.


Ordenado em 1984, Dom Sebastião foi padre nas paróquias de São Raimundo das Mangabeiras, Balsas, Fortaleza dos Nogueira e São Luís, tendo aqui sido professor e coordenador do curso de Teologia do Instituto de Ensino Superior do Maranhão (Iesma). Ele estava em Roma, na Itália, concluindo o mestrado, pela Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG), para defender a dissertação O Cristianismo e as Outras Religiões, quando foi surpreendido com a nomeação, pela então Papa João Paulo II, bispo auxiliar de Manaus. Como o pontífice chegou a esta decisão, supõe-se que seja por indicação de alguém, mas Dom Sebastião jura que nunca soube quem intercedeu a seu favor. “São segredos da Igreja”, resume, acrescentando que nem tudo o que acontece dentro dela se torna público.


O Amazonas foi uma grande descoberta, pois teve de conviver com uma situação geográfica bem complicada, sendo obrigado a fazer grandes deslocamentos em barcos para levar sua pregação a comunidade mais afastadas da capital. Estava já familiarizada com este estilo de vida, quando novamente foi surpreendido por uma decisão papal, pois no ano passado Bento XVI o nomeou bispo de Coroatá, e novamente fica o responsável (ou responsáveis) pela indicação no anonimato. “Com certeza não foi obra do acaso, tampouco uma decisão isolada de Sua Santidade, porém talvez eu nunca saiba que foi o intercessor”.


Bispo


Dom Sebastião não é o único bispo maranhense, pois existem outros três: Dom Jacinto Brito, que está lotado em Crateús (CE), Dom José Carlos (emérito) em Maceió (AL), e Dom Adalberto (emérito), em Fortaleza (CE) ou seja, apenas ele e o primeiro estão na ativa, sendo o único nascido no Maranhão atuando em seu próprio estado.


Pelas estimativas do bispo, existem hoje pouco mais de 200 jovens nos seminários do Maranhão. Quantos serão ordenados, não se sabe, mas espera que sua nomeação sirva de estímulo para que muitos outros que ainda esperam ingressar no ensino teológico ajude a formar mais padres. “É um momento muito importante para a nossa Igreja, pois muitos irão perceber que é possível ascender na carreira sacerdotal e servir em sua própria terra”.


Indagado sobre o que passa na cabeça de um jovem quando decide ser padre, já que na maioria dos casos alguém escolhe uma profissão não apenas pela vocação, mas pelas oportunidades de ascensão social, econômica e política, Dom Sebastião diz que só a fé, o amor a Jesus Cristo, a vontade de seguir o ensinamento de Deus e a determinação de (são nove) e os demais parentes.


Mesmo não tendo remuneração definida como salário e grandes verbas para gerenciar, Dom Sebastião admite que a vida de um bispo tem um padrão melhor que a de um padre, até porque ele precisa estar em boas condições espirituais e materiais para cumprir bem sua missão, ou seja, todas as suas despesas, incluindo carro com tanque cheio, são custeadas pela própria Igreja, cabendo a ele apenas uma pequena reserva para uma eventualidade ou para quando for para aposentadoria.


Nem mesmo as recentes denúncias que afetam a Igreja faz com que Dom Sebastião seja tentado a rever sua decisão, pois sabe que as fraquezas de alguns não vão macular o trabalho evangelizador. A ascensão em tempo tão curto também não o empolga a almejar outras posições, até porque cada um deve seguir exatamente aquilo que está sendo – lhe pedido pela Igreja, e ele espera ser um bom bispo para Coroatá, cuja diocese responde por mais de 500 mil pessoas, espalhadas pelas 16 paróquias.


Natação


Um dos principais desafios para quem deseja seguir a carreira sacerdotal é o voto de pobreza, que aliado aos da castidade e de obediência, pode definir um bom padre. Aliás, na hierarquia da Igreja só existem dois cargos, padre e bispo, os demais – monsenhor, cardeal etc – são apenas títulos.


Nesta filosofia de vida, portanto, não dá para almejar bens materiais, confortos exagerados, vaidades etc. Quando está de férias, por exemplo, Riachão é sempre o lugar escolhido para os dias de descanso, se é que consegue ficar sem atividade num ambiente de muitos parentes, muitos amigos. “Gosto do reencontro com a minha terra, com minha gente, com meus amigos”, justifica.


Desnecessário dizer que nas horas de lazer um sacerdote gosta de ler. Afinal de contas, é através da leitura que ele aprofunda seus conhecimentos, mas há algo que Dom Sebastião gosta de fazer nos momentos de folga: nadar. Segundo ele, não é aconselhável para um bispo estar numa academia, por isto seus exercícios são feitos em ambientes naturais: rios, mares e lagos. Quando estava no Amazonas, por exemplo, passava muitas horas dando braçadas nas águas dos rios, e este exercício, além de ajudar a manter a forma, serve para relaxar. “”Eu descarrego todas as tensões quando estou nadando”, reforça. Outro hobby deste sacerdote é cinema, e sempre que pode vai a uma dessas casas, mas na maioria das vezes assiste mesmo em casa, pela TV.


Perguntado se um bispo pode fazer planos para conhecer, apenas por conhecer, uma cidade, outro país, Dom Sebastião é categórico: “são coisas que não podem estar no propósito de quem deseja ser um sacerdote”.


POR: Aquiles Emir

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